segunda-feira, outubro 02, 2006

SIUL

Siul, de etnia cigana, desde criança que revela muito jeito para o negócio, ainda bebé de leite já trocava berlindes com o seu irmão mais velho levando-lhe sempre a melhor, a mãe era sempre chamada a intervir porque as trocas acabavam sempre com o mais velho a chorar copiosamente, mais tarde a família adquiriu um jumento para ajudar no transporte das mercadorias que iam vendendo nos mercados vizinhos, o animal cansado de andar sempre muito carregado com todo o género de traquitanas, ser mal alimentado e principalmente por estar na época fértil resolveu fugir, ao dar pela falta dele a progenitora mandou a linhagem procurar o asno, esperto ele escondeu-se pouco tempo depois regressou a casa, ela dando pela sua entrada perguntou Siul já precuraste o burro, sim mãe já precuri, como na o vi voltei pra qui, mas vê o que no caminho encontri, trazia na mão um dolex marca de relógios contrafeitos na Abuxana, muito semelhantes aos originais, tinha-o trocado a um miúdo, por um grilo que ele dizia ser cantor de ópera, o outro piamente acreditou de pronto acedeu na transacção, pensando que ganhara um dinheirão.
No seu primeiro dia de escola, armou tal confusão, que todas as professoras em número de quatro, mais os Pais de alguns alunos que ainda estavam por perto não foram capazes de a resolver, Siul resolveu trocar as cuecas que não tinha, pelo material escolar de uma das meninas, teve que vir o regedor, única autoridade do povoado na altura, tomar conta do incidente, resolveu então dar-lhe voz de prisão, conduzindo-o à pequena cela que existia no largo da Igreja, ordenando ao irmão mais velho dele que se deslocasse à aldeia mais próxima para chamar a autoridade superior, ali passou todo o dia, com o aproximar da noite, tendo fome começou a gritar, quem de comer a mim vem dar, ou um morto vai encontrar, eu não os vou enganar, só pretendo cambiar o que nos bolsos tenho, por comida que depois logo me amanho, quando meu irmão vier e a bófia trouxer, eles vão me soltar, porque já aprendi a lição, não faço mais trocas não, escutem-me com atenção, olhem bem o que tenho na mão, é distinto pois então, troco-o já por um naco de pão, olhe senhora passe a mão, não vale bem uma grande refeição, faça-me esse jeito já, olhe que só tem a lucrar, depois de usar nunca mais o vai largar, veja senhora veja isto não é ilusão é feito à mão, tinha na mão um peão.